_trabalhos                                                          _textos                                                               _bio

2018

Eu, Baleia é um vídeo performance sobre a lembrança da vida anterior: quando sou aquilo que não lembro que fui. Rememora a minha casa aquática, os nados, os delocamentos e aquilo que antecedeu a essa vida humana. Logo, a criança que viveu perto do mar no Rio de Janeiro e depois mudou-se para uma cidade muito seca e quente do interior de São Paulo. Costumo dizer que baleias que foram fadadas a viver na terra se tornam samaúma, à mim só restou a corpulência e a saudade da casa-mar.

Ficha Técnica
Concepção, direção e edição: Camila Fontenele
Direção de fotografia: Malu Aguiar
Orientação: Allan Yzumizawa

Processo para a vídeo performance: "Eu, Baleia"
Rio de Janeiro | 2018

.

Chego no mar,
ele recua.
Deito na areia,
ele recua.
Eu entro no mar,
ele recua.

Fico sem saber,
se isso é caso, descaso ou mágoa.
Então eu choro,
e ele parece viver dentro de mim.

Como uma pessoa líquida
faz para viver na terra?
Sem ser ilha,
sem ser barco,
sem ser baleia?