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Eu, Baleia,  2018

A vídeo performance ‘Eu, baleia’ é o registro do reencontro sagrado entre criança, mulher e Oceano. Entrar no mar, segundo Bachelard, é uma “iniciação perigosa, um salto no desconhecido”. A artista não se furta ao desafio de compreender o preço da profundidade, empreende uma dança ritualística e seduz o mar, orquestrando o movimento das ondas com a coreografia de suas mãos. A dança sacramenta o encontro, a entrega e o reconhecimento de serem um. O canto é o reconhecimento e afirmação de sua própria voz no mundo. E o retorno se dá com a constatação de que carrega em si esse “impulso inesgotável de vida”.

Como poetizou Rumi: somos o oceano em uma gota. A jornada essencial e heróica em busca de respostas para as questões existenciais que nos assombram é o salto sobre o abismo que se dá para dentro enquanto reencontro essencial. E a arte se apresenta como território fértil onde elas germinam.

                                                                                                                                         Texto de Malu Aguiar | Rio de Janeiro