Vídeo performance sobre a lembrança da vida anterior: quando sou aquilo que não lembro que fui. Rememora a minha casa aquática, os nados, os deslocamentos e aquilo que antecedeu a essa vida humana. Logo, a criança que viveu perto do mar no Rio de Janeiro e depois mudou-se para uma cidade muito seca e quente do interior de São Paulo. Costumo dizer que baleias fadadas a viver na terra se tornam samaúma, a mim só restou a corpulência e a saudade da casa-mar.
Eu, Baleia, 2018
Vídeo 3'59"
Concepção, direção e edição: Camila Fontenele
Direção de fotografia: Malu Aguiar
Orientação: Allan Yzumizawa

Processo para a vídeo performance: Eu, Baleia
Rio de Janeiro | 2018

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Chego no mar,
ele recua.
Deito na areia,
ele recua.
Eu entro no mar,
ele recua.

Fico sem saber,
se isso é caso, descaso ou mágoa.
Então eu choro,
e ele parece viver dentro de mim.

Como uma pessoa líquida
faz para viver na terra?
Sem ser ilha,
sem ser barco,
sem ser baleia?